sábado, 28 de dezembro de 2013

OS CAÇADORES DE CALANGO!


Sempre gostei de relembrar o meu tempo de criança... Faço isso com o intuito de observar aquilo que fiz ou deixei de fazer, rever os ensinamentos de meus pais, as provações, as conquistas, etc. Nessa andança pelo labirinto de minha mente, encontrei algo interessante que praticava com meus irmãos e, às vezes, com alguns colegas. 

Trata-se de nossa caçada aos calangos, um tipo de lagarto que encontramos em fendas, buracos ou no telhado das casas. Nós o pegávamos não com o objetivo de lhes tirar a vida, mas somente para nos divertir com a captura, soltando logo depois. 

O meio utilizado para pegá-los é o que mais chama atenção. Afinal, como aprisionar o lagarto sem machucá-lo? Então elaboramos uma armadilha que sofreu o seguinte processo: no matagal cortávamos uma vara de dois metros de cumprimento, de preferência sem curvatura; com um saco de ráfia (aqueles utilizados para transportar alimentos) nas mãos, tirávamos uma linha e formávamos um laço que era colocado na ponta da vara. A armadilha se parecia muito com uma vara de pescar, só que ao invés do anzol se tinha o laço. 

Com a vara nas mãos a captura era simples. No entanto, exigia do manuseador destreza e muita paciência, sem as quais tornaria difícil obter o resultado planejado. Alguns calangos mais espertos fugiam, deixando a brincadeira mais legal. 

Essa é uma parte de minha vida da qual não esquecerei e que, com orgulho, compartilho com vocês.

Hélio Costa
Araquém, Coreaú - CE

O QUADRO QUE FUI

Fui ontem o quadro na parede da vovó,
coberto de poeira e desgastado pelos anos.
Uma foto preto e branco,
acinzentada e ruída pelas traças -
metade pintura, metade passado.

A moldura toda enferrujada, já sem brilho,
é o invólucro desta lembrança,
que se consumiu quase por inteiro -
viva frieza do que não volta!

Mas
eis que cresce,
ao canto do quadro,
a pequena casa de barro,
moldada parte a parte,
grão a grão de lama,
pela vespa do amanhã,
que deposita ao seu fundo
o seu filho.

E então
Vejo-me habitado, 
em minha morte,
pelo intruso tempo
que não pede permissão.

Benedito Gomes Rodrigues

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

AO MEU PAI

De inverno a verão,
A labuta é a mesma;
O trabalho no roçado
Abastece-lhe a mesa.

Desde o nascer do sol,
Ele acorda animado,
E de logo vai e começa
A amolar foice e machado.

Seu rosto enrugado,
Expressa com exatidão,
Tantos anos de trabalho,
No sol forte do sertão. 

Desse cara tenho orgulho,
Por coragem demostrar.
Refiro-me ao meu pai,
Raimundo Rodrigues da Costa.

Hélio Costa

UMA CASA CHAMADA APL

Nossa Academia é uma casa de portas abertas, embora não tenhamos, de fato, nenhuma porta, ou teto, ou parede sequer dessas mais comuns feitas de cimento, tijolo e madeira. Antes que um leitor desavisado nos compare “À Casa” do Vinícius de Moraes, faço lembrar que somos mais do que uma metáfora. 

Aqui, como numa verdadeira casa, muita gente pode encontrar refúgio e se sentir bem recebida. Aqui, diferente da maioria das casas, que guarda e até mesmo esconde os objetos e as pessoas que lá se encontram, estamos para dar visibilidade, mostrar o que ficara encoberto, a saber, alguns dos talentos (sobretudo na escrita) de nossa terra, atual Coreaú, saudosa Palma. 

Se tal é nosso intento, com grata alegria, neste dezembro de 2013, anuncio: a ideia nascida despretensiosa, numa brincadeira fortuita de feriado, ganhou proporções inesperadas. Por mais que a atuação da APL tenha sido ainda tímida, provamos, com este blogue, com a realização do 1º Concurso Literário de Coreaú [ainda em andamento], e com outras ações específicas que vieram e virão, que há, sim, em Coreaú muito potencial de desenvolvimento cultural.

A ideia da APL avançou fronteiras. Pessoas de outros municípios, e até de outros estados, que conosco se comunicam e tiveram contato com a proposta da APL ficam, de pronto, interessadas a admiradas com uma Academia que quer ir além das láureas. Iniciativas noutros cantos estão se germinando com o impulso singelo de nosso exemplo; tomara que vinguem! Isso significa que, se pouco fizemos, com o ânimo novo que ganharemos em 2014, muito mais há de se fazer. 

E não estamos sozinhos... Outras ideias têm germinado e dado a Coreaú - na base da resistência - as suas contribuições à Cultura. Estaremos abertos para apoiar no que pudermos a elas também. 

A esperança é de que o que tem sido feito - muito pequeno ante o que queremos e é necessário - seja somente o começo e que, em conjunto, mais pessoas se engajem, mostrem seus talentos e arregacem as mangas para fazer “chover arte nos terreiros da Palma”, como asseverei um dia num de meus poemas. 

Gratidão a todos que contribuíram de alguma forma neste blogue (mandando seus textos), participando do Concurso, acompanhando-nos e que - se não agora, mas futuramente - estarão também conosco nesta empeleita. É nas pequenas ações que se faz História!

Benedito Gomes Rodrigues
Membro da APL

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

A LONGA ESPERA

Pintura de Natália Rosin.
O vento que sopra 
A brisa do mar 
O verde das folhas 
A luz do luar 

A doce menina 
A se balançar 
Por alguém espera 
Sem se cansar 

O dia e a noite 
O ir e o voltar 
A longa demora 
Onde vai parar?

Será que um dia 
Ele chegará? 
Não pode prever 
Somente esperar

Sergiane Gomes
Cunhassu dos Sales, Coreaú - CE

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

HUMANO AGORA

Chore e deixe o vento enxugar as lágrimas, e que o sal arda em seus olhos para saber o gosto de enxergar a própria miséria. E aí, quando não mais possuir as coisas que julgou tão necessárias, quando perceber que nenhuma delas era sua, poderá, quem sabe, se sentir mais livre ou mais leve, com menos um fardo que lhe logravam aquelas expectativas mesquinhas que você alimentou. 

Não adiarei mais nem o sorriso, nem o choro, ou a mistura dos dois - a mais exasperada de todas - para ser humano agora, com todas as vicissitudes e seus diferentes sabores de ser gente.

Benedito Rodrigues

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

VESPASIANOS X TITOS MODERNOS...

Corria o ano 79 d.C, quando Vespasiano, o imperador do império já em decadência do seu leito de morte chamou Tito seu filho e sucessor imediato para uma conversa ao pé de ouvido.

Disse-lhe ele, Vespasiano: "- Tito meu filho... Cônscio que estou de que os deuses do olimpo me chamarão brevemente, ordeno-te que tempestivamente conclua abra do grande palco e teatro da arena Coliseum. Sabe filho? Ela trará muitas alegrias e o povo não se rebelarás contra ti. A memória infinita do porvir fará com que sejamos lembrados por toda a posteridade..."

- Ora... ora... profano escriba... Lá vem vós novamente com estas conversas abestaiadas e... Como podes ó vós escriba saber detalhes deste diálogo entre o grande imperador e seu filho? Não responda...

- Era eu um pretoriano... Estava a serviço da guarda imperial e ouvi tudo direitinho. Do jeito que estou a descrever agora... 

Pois bem: Já naquela época os governantes sabiam que entre um hospital de qualidade, uma escola ou qualquer outro equipamento urbanístico de uso coletivo e que oferecesse serventia de verdade à população, esta mesma população, medíocre, ordinária, imbecil, futil e ah... deixa pra lá. Não vou gastar meu português em buscar adjetivos para des'qualificar esta gente que prefere circo e pão à oficina de modelação da personalidade. Tô furioso. E quero destilar toda minha angústia e revolta hoje... Apenas hoje... Amanhã é natal...

Pois bem 2: Estamos vivenciando a mesma situação. Uma instituição (FIFA da p...) vem lá da casa do c... montar seu circo de futilidade não banca um centavo de nada e os Vespasianos do momento ainda torram o suado dinheirim do imposto gerado pelo cidadão eleitor contribuinte (Royalties para Helio Fernandes da Tribuna da Imprensa) montando estas arenas que em nada servirão para melhorar a qualidade de vida e a cultura desta já desculturada população de zumbis alienados.

É o fim da picada. Nos bastidores, escravos, digo... digos... operários vão perdendo vidas em jornadas extenuantes de trabalho para dar lucros aos mercenários detentores dos direitos de exposição do expetáculo...

E com dor ou sem dor... Tito inaugurará o conjunto (agora não é só uma. são várias) de arenas coliseuns... E para dar rentabilidade maior, nem precisará de cem dias de festas. Bastará pouco mais de um mês...

Tenho dito... E sempre!!!

Manuel de Jesus

Leia original clicando aqui...

TODOS QUEREM A TÂNIA PARA SI!

Ela caminhava de forma rápida e delicada em frente a minha simples residência, parecia sozinha, perdida, assustada, movendo-se de um lado para o outro como se não encontrasse o que queria. Apesar de eu não poder descrever com exatidão suas características, posso dizer que ela é uma fêmea linda, com um corpo exuberante, principalmente o bumbum, que é bem avantajado e chama a atenção dos homens que a procuram. Desculpem-me pela indiscrição. 

Ela é rara, aparece apenas de ano em ano por aqui, por isso é bastante valorizada. Sempre tive em minha mente o desejo de namorar e me entrelaçar com ela, de tê-la somente para mim, mas nunca tive a coragem para tal. Talvez, seja tarde demais e ela nunca tocará meus lábios. 

Para nunca esquecê-la, de maneira ágil e discreta, dela tirei uma foto. Agora, fico somente a olhar sua imagem, apreciando sua beleza, a espera de seu retorno, rezando para que outro não a possua. 

Como o considero um amigo, que sabe guardar segredo, compartilho com você a foto de Tânia. Para mais segurança, veja ela clicando AQUI.

Hélio Costa

sábado, 21 de dezembro de 2013

CONVERSA COM A CHUVA

Conversei com o barulho das telhas na tarde passada. Enquanto chovia, lá na calçada se ouviam os meninos que pulavam; pareciam ver Deus, ou um pedaço dele que chorava - de alegria - e transbordava sobre a terra sua euforia, nos relâmpagos distantes e na chuvarada, na lama que se formava do barro e que salpicava nos pés dos meninos. Foi uma conversa íntima, esta minha, sincera como aquelas que puxara inda pequenino, quando pensava que minhas ordens poderiam bem calar o céu de seus rancores e que minhas preces eram especiais o suficiente. E, sendo mais um dentre a porção vivente desta terra, meu fôlego ganhou potência, queria eu gritar pedindo clemência aos céus, mas preferi mesmo conversar na minha intimidade, das coisas simples, como a água que benze todo o chão.

Benedito Rodrigues

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

ALEGRIA DE VOLTA

Cai chuva no torrão do nosso sertão,
Alegra a caboclada,
Todos se preparam para plantar
Arroz, milho e feijão.

Também não é diferente para a bicharada,
Canta o galo-de-campina, canta a rola, canta a juriti,
No pouco de água que resta nos lagos é aquela alegria,
Canta o sapo e a gia, o caçote e a perereca.

A babuja começa a fofar a terra, 
Nossa caatinga solta seus brotos,
E dentro de poucos dias nosso torrão está aquela beleza.

Digo com toda certeza,
Com orgulho e gratidão,
Sou feliz de morar nesse sertão.

Joabi Teles
Estudante de Filosofia (UVA)
Cunhassu dos Sales, Coreaú - CE

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

NOITE PALMENSE

No rádio tocava uma música animada. Passava da meia noite e a insônia persistia. Pela brecha da janela observava um pedaço de rua deserta. Um coral de cachorros latia nos arredores. Um galo precipitado já anunciava a manhã distante. O locutor da rádio entrevistava um novo cantor baiano. No intervalo, a vinheta soava baixo na madrugada calma coreauense. 
– Sociedade, Salvador, Bahia! 
Deitado na rede da sala, com apenas doze anos, esperava ansioso o relógio marcar quatro horas para reunir os colegas da sexta série do Vilebaldo Aguiar e irmos para a educação física. 
Nem o balanço da rede conseguia atrair-me o sono. Algo me irritava a garganta. Na tentativa de aliviar o incômodo, forcei as cordas vocais e me saiu um som gutural estranho, repetido algumas vezes. 
Uma voz grave comentou no quarto do lado: 
– Leda, esse menino 'tá meio abestado! 
Não dei cartaz. Segui pela madrugada procurando o sono, sem conseguir tirar da cabeça a aula de educação física, resumida basicamente numa partida de futebol na quadra do Grupo. 
Do relógio da praça soou uma batida. Devia ser meia-noite e meia; uma da manhã, talvez; ou mesmo já uma e meia. Seria difícil jogar sem ter pregado os olhos durante a noite inteira. 
Às três horas, em ponto, a banda de música quebrou a monotonia da rua, tocando Luiz Gonzaga, Roberto Carlos e Ravel em frente à casa de algum aniversariante. Chico Irineu no trompete e Canarinho no trombone aplacaram-me a inquietação. Desliguei o rádio. Menos tenso, tentei cochilar. 
Acordei com alguém batendo na porta. Era Raimundinho, Nonon e Chico. 
– Etim, 'bora pra física! 
Seguimos pela rua lateral. Despertamos Delmon, Pitica, Louro, Zoélio e Celino; depois, subindo pelo Rabo da Gata, chamamos Marcinho e Jean e partimos rumo à praça, onde já havia outro grupo. 
Depois de uma provocação insolente, Chico correu, em volta da Coluna da Hora, com uma pedra na mão, no encalço do irrequieto Jean. 
Como ainda era quatro e meia, fomos alguns à mercearia do Chico Cristino, tomar um café quente com tapioca de coco. Na volta, acordamos professor Ivan e, enfim, caminhamos para o futebol. 
Antes do início da partida, professor Ivan nos pediu alguns exercícios. Dez voltas na quadra miúda, algum alongamento, umas flexões abdominais... Nada para além de dez minutos. 
Jogávamos até às seis, quando a bola não se perdia pelos quintais vizinhos depois de um chute mais forte. Com o apito final do professor, seguíamos para casa pelas ruas estreitas da Palma, que já despertava lentamente para o novo dia.

Eliton Meneses

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

PENSAMENTOS INCOMUNS

Os Noivos nos Céus de Paris, de Marc Chagall.
Não consigo mais dormir;
Vivo pensando em você.
Já não sei o que eu faço,
Se amo ou tento te esquecer.

Tento pensar diferente,
Mas você vem à cabeça.
Será intuito ou lógica?
Algo pede que te esqueça?

Então, abro as portas de minha casa,
E sento à grama e começo a tocar
Músicas que nem sei o porquê de escutar.
Mas quando olho pro céu, bem lá está,
Nas estrelas, 
Que com o passar do tempo 
Começam a se formar
Num lindo rosto e, 
Na mesma hora,
Consigo te lembrar.  

Pego uma cadeira 
E a coloco no quintal, 
Só pra olhar as Três Marias,
Que com o amanhecer 
Formam uma bela face
Que me é familiar.

Mas olho de novo e vejo 
O Escorpião vem me matando, 
Pois não consigo disfarçar 
Que aquele rosto era o mesmo que,
Pela primeira vez,
Fez me apaixonar.

Tadeu Silva
Araquém, Coreaú - CE

NASCEDOURO DO NADA

O Nada
corta a carne
mais sanguinariamente
que o Verbo,
pois trespassa a palavra dita
e emerge das profundezas
imemoriais
do não-saber,
do não-dizível,
em cuja essência desregula-se a razão.

Eis o Nada:
a Criação
que perambula
a alma;
o que se vê
e o que não -
que traz resquícios
do momento-uno,
ou o não-momento,
em que tudo
efervesceu-se,
evaporou-se
e nasceu -
em silêncio.

Benedito Gomes Rodrigues

UM MITO DA CRIAÇÃO: A GÊNESES I


No “início”, tudo era o mais “perturbador” silêncio;
Nenhuma “fagulha” era produzida;
Nenhuma “nota” era emitida;
Não existia e nem houve nenhum intuito de “criação”;
Nada fluía;
Nada a ser “observado”;
Ninguém estava lá naquele momento de “criação”, de “inspiração”;
Ninguém!
Ninguém presenciou aquela metamorfose;
A não ser o próprio “Nada”;
Ali em seu “trono”, o “Nada” reinava em perfeito equilíbrio;
Sem nada para temer, “Ele” silenciava-se diante de seus próprios “suspiros”;
Aquilo que todos chamam de “tempo” ainda não existia;
Ou melhor, lá estava “fervendo” em processos de “fermentação” pronto para ser expulso das profundezas harmônicas;
Portanto, nada existia para “medir”, para “sentir”;
Assim o “Nada” reinava em seu “trono” desprovido de “espaço” e de “tempo”;
Existia sem “consciência”, sem “sentido”;
“Vivia” harmonicamente sem perturbação;
Ali estava o “Nada” jogado literalmente ao “nada”. Esquecido. Solitário;
Ali sim, o “infinito” “abraçava” todo esse “universo” imaterial, irreal, imutável;
Sem mais nem menos, aqui, ali, acolá, vibrações “emanam” das profundezas do “Nada”;
“Fagulhas” do “Nada” suspensas também em nada começaram a saltar em um movimento frenético dando nós em si mesmas, confusas como um casal apaixonado que se vê pela segunda vez;
Um movimento sem causa, sem criador...
Casualmente, algo começa a fluir;
Nesse instante, o “Nada” tremia novamente, desta vez, mais intenso;
O “infinito” sacolejava;
E o “espaço” se contorcia e se esforçava para vi à tona;
De repente, tudo se faz “silêncio” novamente como se esperasse um comando...
Mas a desordem emerge das profundezas pulsantes;
Agora tudo treme, tudo é perturbação, tudo é variação, tudo é desordem;
Vai-se gerando “ordem” aos poucos;
As “porções” do “Nada” que se enamoravam, agora se distanciam sem saberem se ainda irão se encontrar;
Surge então a variação de acontecimentos e com isso, o “tempo” nasce;
(...)
O que era deixa de ser. Nada será. Apenas é ou deixará de ser;
O “Nada” adormecido em seu sono cósmico desperta;
O “espaço” nasce dessa perturbação, desse desequilíbrio, dessa quebra de simetria, dessa imperfeição, dessa inquietação;
Surgem então as transformações, as mutações e, com isso, nosso mundo, não eu nem você, nem outro ser, mas uma fagulha do “Tudo”;
Agora sim o “AGORA” existe, mas em instante deixará de existir para se transmutar em passado;
Assim, dessa “dança do Nada”, deu-se corda ao Universo.
Ele começa a pulsar;
Dá-se a “gêneses” da música cósmica;
Ou seja, enquanto o “caldeirão” que “fervia” o “Nada” “borbulhava”, o “tempo” vibrava, jorrava-se mundo a fora;
Das pulsações de micronadas, a matéria emerge;
Enquanto isso, o “tempo”, ali de mansinho a observar aquela elegante transformação, faz anotações;
E então, criaram-se “migalhas” de matéria e foi ocupando aquilo que sobrou do “Nada”;
Então o “espaço” e o que sobrou do “Nada” vão sendo “preenchidos”;
O resto do “Nada” não é “espaço”, mas outra essência;
Então a matéria foi preenchendo todo o “espaço” ou os microespaços oriundos do “Nada”;
E foi preenchendo até gerar o que temos hoje;
O nosso universo observável e não observável foi criado;
(...)
Talvez um dia a matéria adquira um equilíbrio e reine assim como o “Nada” e ocorra novamente um desequilíbrio;
Quando isso ocorrer;
O “tempo” deixará de existir, o “espaço” também, a matéria sucumbirá e então:
Seremos novamente um “Nada” pulsante;
E depois, em um “sono” profundo, em um esquecimento cósmico...
Mergulharemos,
Para sempre?
Só o “Nada” poderá nos dizer;
Enquanto isso, o Universo continua a pulsar.


Marcos Souza
Professor
Araquém, Coreaú - CE

domingo, 15 de dezembro de 2013

TERMINADO O PRAZO DE INSCRIÇÕES PARA O 1º CONCURSO LITERÁRIO E COREAÚ

Terminou o prazo de inscrições do 1º Concurso Literário de Coreaú. Foram ao todo 13 inscritos com 17 trabalhos submetidos em prosa e poesia, que serão julgados pela APL até janeiro de 2014 – quando será divulgado o resultado oficial do concurso. Os casos de participantes de outros municípios, para os quais o edital não estabelece tratamento específico, serão avaliados pela APL. Segue abaixo, em ordem alfabética, a lista dos participantes inscritos:

  1. Airla Gomes Moreira Barboza
  2. Antonio Aionesio Souza da Silva
  3. Douglas Fabiano de Melo
  4. Everton Tolves de Almeida
  5. Flávio Machado
  6. Francisca Joyce Aguiar Azevedo
  7. Francisco Djacyr Silva de Souza
  8. Francisco Edilson Silva de Souza
  9. Francisco Kelvis Albuquerque Cavalcante
  10. Guilherme Brum Mena
  11. Hélio de Souza Costa
  12. João Silveira Muniz Neto
  13. Vera Vernaide Pessoa Cavalcanti

PENA DE MORTE, POR ANTÔNIO CIQUEIRA (ARAQUÉM)

Antônio Ciqueira, que atualmente trabalha como pedreiro no distrito de Araquém (Coreaú), tinha dentre seus escritos guardados alguns poemas e uma história em cordel, cedida gentilmente à APL para edição e divulgação. Seu contributo se soma aos demais já apresentados ao longo do ano de 2013 neste blogue organizado por nossa agremiação cultural, cujo papel estratégico tem sido denotar claramente que em terras coreauenses há pessoas com grande potencial para a escrita. Caso você escreva ou se expresse através de outra forma (como pintura, música, etc.), entre em contato conosco através do e-mail aplcoreau@gmail.com ou na aba "Fale conosco" do menu deste blogue, e mostre também sua contribuição para mais enriquecer culturalmente a Coreaú.

Abaixo, o texto na íntegra do cordel "Pena de Morte", com a revisão do acadêmico Benedito Rodrigues:

OLHAR

Pintura de José Augusto Coelho.
Deus nos deu o dom de falar,
Mas poucos sabem lhe utilizar;
Já eu prefiro falar com o olhar,
Por ser das formas a mais profunda, 
De um sentimento a se expressar.

Já são três horas da manhã, 
E ainda nada do sono chegar.
Talvez seja porque não é 
A hora de descansar.

Olho para um lado e para o outro,  
E não vejo nada para me inspirar
Mesmo cansado  
Vem a lembrança 
De um sorriso e um olhar
Que jamais pensei que um dia 
Iria me conquistar.
                        
O tempo vai passando e já começa a amanhecer,
E as estrelas já vão desaparecer.
Mesmo assim, continuo pensando em você.
Vejo que nada aqui descansei; 
Não sei se é amor ou, muito menos, paixão 
Mas ainda não consigo lhe tirar do coração.

O que ouço à noite, de manhã vira minha poesia, mesmo que não seja minha vontade, pois o verdadeiro poeta não é aquele que escreve poemas, mas aquele que o poema escolhe para ser o poeta.

Tadeu Silva
Araquém, Coreaú - CE

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

VERSOS SOBRE O TÚMULO

Por sobre meu caixão
Chove poemas
Versos se espalham
E são minhas flores
E tudo que tenho
Em tudo que há
Porque a poesia que usei
Não é minha
Ela, contudo, está na vida
Nas pessoas
No que perdi
Mesmo que nunca os tenha tido de fato
Nem os versos são meus
Se os enterro comigo
É por teimosia
E porque em cada traço
Há um pedaço de mim
Que se consumirá
Ante o silêncio da terra

Mas me consola
Saber chover versos naquele dia
Que não veio ainda
Mas me consola
Oh, irmão meu que ora me espreita!
Saber que tentarei vazar a tristeza
Com a leveza dos versos que quis fazer
E levei no desejo
De não tê-los escrito
Mas de tê-los vivido
Aqueles versos serão cada lembrança
E cada amor que plantei neste mundo
E do pranto se farão mais versos
E cada choro será poesia
E a alegria de quem quer ser poeta
Chora e ri da própria graça.

Benedito Gomes Rodrigues

PARTICIPE DO 1º CONCURSO LITERÁRIO DE COREAÚ


Ainda resta pouco mais de quatro dias para o encerramento do período de inscrições no 1º Concurso Literário de Coreaú. Confira aqui o edital e participe.

O OUTRO QUE EU RENEGO

A gente saboreia o pão no café da manhã. Sem pensar em quem suou tanto para que ele chegasse a nossa mesa. O leite está ali. Alguém acordou de madrugada para ordenhar as vacas. Mas esse alguém parece ser ninguém. O biscoito veio da padaria. Mas padaria, dona Maria, não funciona só. A chaminé de lá foi alimentada. O fogo não ficou tão alto à toa. Quando a gente vai pro trabalho, depois do bom cafezinho, senta-se na cadeira do ônibus conduzido por um senhor, que largou a cama de madrugada e está ali, apurando dinheiro e produzindo riqueza. Pros outros. No trabalho você se junta a uma turma que vai cortar, aparar, ajeitar, por e retirar,... Tudo isso por um salário que mal dá pro alimento, deixando fora dele a vestimenta, a medicação e o descanso reparador. E a gente vai vivendo, com a impressão de que as pessoas que nos ajudam a conduzir a vida não são... gente! É o nosso jeito de renegar o outro. E a nós mesmos!

João Teles de Aguiar
Professor e membro da APL

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

O RÁDIO E O TEMPO

Velho rádio empoeirado
Que tantas valsas tocou
Hoje jaz lá na lixeira
Seu ex-dono o jogou

Não toca mais nada

O rádio, que falava
É mais um dentre os detritos

Morreu a valsa
Morreu seu glamour
Morreram os dias idos
Com quem os viveu
E com a ferrugem
Que os corroeu

Por que o rádio é diferente de nós?
Se nossa valsa volta e meia finda
Se nossa falsa esperança em nós mesmos
Ruir em suas bases

Por que o rádio é diferente de nós?
Que largamos a eternidade
E nos agarramos medrosamente ao tempo
E o tempo é indiferente
Contundente em seu moer de dentes
E nós tão pequenos.

Benedito Gomes Rodrigues

PRINCÍPIOS

Distraído, eu folheava meu livro, quando duas crianças passaram em frente à minha casa. De repente, a garotinha disse ao seu amigo “eu aceito seu pedido de desculpas”. Ambos deviam ter no máximo sete anos de idade. 

Cessei minha leitura e passei a meditar: como o mundo seria um lugar bem melhor, se as pessoas seguissem o exemplo daqueles dois, tanto do garoto que humildemente pediu desculpas, quanto da menina que fraternalmente a aceitou. Mas, enfim, que falta aquele garotinho cometeu para com a menina? Não sei, não importa, seu gesto de reconhecer o erro e, sobretudo, de solicitar perdão à menina sobressai-se ao motivo que gerou o pedido. E pensar que os dois são tão jovens! Contudo, talvez, eles cresçam, e o mundo ensine-os que não devem pedir desculpas quando errar, ou aceitá-los quando os outros os magoar. É como já diria Darwin “os que melhores adaptam-se, sobrevivem”. No entanto, queremos mesmo adaptar-nos a fazer desses costumes princípios em nossas vidas?  

Talvez um simples pedido de desculpas pareça indigno de atenção, todavia, pense bem, pois são ações assim, aparentemente supérfluas, que podem dar-nos uma leveza colossal em meio a um cotidiano estressante e cheio de inimizades.

Kelvis Albuquerque

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

À SEMPRE PALMA

no vento que eriça as carnaúbas,
na mulher que de palha faz chapéu,
no feijão estendido nas calçadas,
nos engenhos de cana e mel,
nos galos que cantam madrugadas,
nos serrotes coloridos de ipês,
nos açudes com os pulos dos meninos,
nos riachos lavadeiras cantam hinos,
na alegria simples de viver.
nestes todos que te formam,
terra nossa, Palma sempre
eis que aqui meu peito bate
como em que de mãe um ventre!
quero em ti vir repousar.


Benedito Gomes Rodrigues

NINGUÉM

O calor piorou depois do banho
 - Ninguém ao meu lado está!
O café não tirou o sono
Ninguém ficou de voltar.

Onde estará o quê de mim
agora que não sei mais quem sou?
Existe uma dor própria de morrer
ou é mera impressão
esse não sei o quê de amor?

Quais ventos me conduzirão?
Em que areias finas irei aportar?
De que me adianta pisar o chão
se não tenho ninguém a me esperar?

O que fazer com tanto
não sei o quê de angústia
com tantos incontáveis desamores
com abundantes amores em vão
que passam sem a intenção de retornar?

Onde está o que nunca tive?
 - será que existe?
O que faz de mim humano
se dos amores idos
só tenho boas lembranças
nunca saudades reais?

O que faz de mim humano
se penso que não sei amar?
Onde está o que a todo mundo é legado
e a mim, só Ninguém consegue decifrar?


20.set.2011

Neto Muniz
Cruz - CE

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

ESTE CORPO NU

Este corpo nu
Eu o sou
Com suas vicissitudes
E mágoas
Mas também
Desnudo
Eu o sou
Com sua coragem
E seus sonhos

Este corpo nu
Pura carne
Puro pó
Frágil
E finito
Guarda
Minha história
Não sou mais
Que o frio de cá
Não sou mais
Que o que faço
Da história
De minha carne.

Benedito Gomes Rodrigues

TEU SORRISO

Senti no teu olhar um sorriso sincero e encantador,
Fascinando o meu coração sem perguntar.
Percebi neste teu sorriso amor.
Encontrei nele o sentindo de amar.

Sentindo o coração disparado, as mãos tremendo,
Sem saber que fazer para me controlar.
Meus pensamentos voam no teu sorriso envolvente,
Não querendo perder um só momento do presente.

Sonhei tanto tempo com este mágico momento,
Você, ali, olhando-me, namorando-me, que alegria imensa!
Agora sabia que muitas seriam as horas em que poderia ficar a admirar teus sorrisos,
Sem me cansar de te olhar e sempre me apaixonar mais uma vez.
Seria eu e você neste mundo de românticos,
Onde a magia do amor rima com teu sorriso.

Juliana Maria
Coreaú/CE

domingo, 1 de dezembro de 2013

ONDAS


Ó vagas do mago vidente; 
Fúria inclemente do mar; 
Sinal de abismo iminente; 
Tropel de imenso cismar! 
De penas, a terra coberta, 
Num sopro irá se afogar; 
Ressoa o clarim de alerta: 
No cosmo, voraz renegar! 
O tempo é estrela cadente; 
Em terra anúncio de morte; 
Nos sinos, há lúgubre soar. 
Ao homem, no fim aparente, 
Lhe resta o bafejo da sorte: 
Da corrida aprender a voar.

Eliton Meneses

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

SIMPLICIDADE

Se tudo fosse simples
Se o simples fosse fácil
Se o fácil fosse possível
Se possível fosse
Mudaria tudo
Se o se permitisse.

Lion Nazaro
[pseudônimo de um coreauense
de Araquém, publicado originalmente
no blog Araquém News]

CATIVANTE AMOR

Meu sentimento era águia cativante.
Aprisionado neste peito.
Ansiosa pela chegada de alguém.
Que deste a liberdade da sutil prisão.
E tu chegaste!
Transformou, anjo meu, este coração
Em  semente de grilhões com total liberdade,
Pois meu amor de novo está cativante,
Porém nos tons da felicidade....

Juliana Maria
Coreaú/CE

domingo, 3 de novembro de 2013

A SEMENTE QUE PLANTASTE

aquela semente que plantaste
em meio peito
tem doído ao germinar
dói tanto
inda mais quando me deito
e me afundo em alumbrar
da ternura que me deste
com o amor que então fizeste
para a gente se juntar
contrafeito é o esforço
empreendido em esquecer
que o amor que por ti sinto
inda que faça doer
é o amor que cresce em mim
faz a vida ter um fim
que seja ao teu lado
doído, ou não, ou sim
ao teu lado.

Benedito Gomes Rodrigues

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

A FALÊNCIA...

Apesar de brejeiro Tião tinha lá suas vaidades e caprichos... Era um comum mas não desejava uma vida comum ao lado de Fulô... Sonhara em tê-la como joia rara no centro de um belo jardim... Os tempos difíceis aumentavam cada dia mais a distância deste sonho realizado...

No ápice do desespero por tamanha impotência de não conseguir tal feito e se encontrando sem eira nem beira, ouvira da amada com grande tristeza advertência, dos provedores da mesma sobre a negação para possível socorro caso incorresse em erro de contrair convivência afetiva mais próxima com a joia rara do reino sucupirano...

Não deu outra... Sem dar nem pedir explicação, (o destinho cruel os condenaria ali a tristeza e desilusões quase que eternas) bateu botas cabisbaixo rumo ao nada...

Um nada só poderia ir em busca do outro nada... Como um nada poderia ter o tudo? Fulô era, é e sempre será tudo... 

Amargaria no porvir dos anos, dias e noites de tristeza e saudades...

E nunca mais andaria nos trilhos... Nunca mais... Nem sonhara em ser feliz... 

Como uma papoula rubra Fulô resistira às intempéries e à rusticidade do rastel insensível... 

Encantadora como sempre fora...

Tenho dito... E sempre!!!


Manuel de Jesus
Membro da APL

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

PATRIA LATINA



Las venas todavía abiertas
Hacen la misma pregunta:
¿Hasta cuando, libertad?
¡O nuestra patria latina,
Río corriente de sangre,
Ansia de canto general!
Fusión de tantos colores,
Tierra del tango malevo,
Herencia de mismo crisol.
Herida cubierta de flores,
Llevaron las hojas de oro,
Volando como el gorrión.
¡Condor del cielo latino,
Hay vuelta en la esquina,
Sea el trino del ruiseñor!

Eliton Meneses

domingo, 27 de outubro de 2013

SILENTE

O silêncio
É poético
O vazio
Mais profundo
Que o conteúdo
A dúvida
Mais contundente
Que a certeza
O obscuro
Mais premente
Que a clareza
E nós
Menos concretos
Que os atos.

O puro ato de poetizar
Na criação
Batiza-nos no silêncio
Meu nome não cabe
Em letras.

Benedito Gomes Rodrigues

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

UM POEMA SEM VERSOS



Nada mais agradável do que uma leve caminhada, sandálias havaianas no pé, bermuda jeans e blusa esportiva, sem compromisso algum, pelas ruas de Coreaú, minha terra natal. Depois da labuta diária, final de tarde, em um dia qualquer da semana, atravessando a Praça da Matriz, mirando a Igreja de Nossa Senhora da Piedade, contemplando, em cada passo, os pedacinhos do meu chão, dirigindo-me até o Mercado Público; dedinho de prosa com alguns bons amigos e, depois, retorno ao aconchego da família. Céu em vida!

Fernando Machado Albuquerque
Professor
Membro da APL

sábado, 19 de outubro de 2013

SONETO A UM ANJO LINDO

A suavidade extremosa de tua pele,
A graciosidade de seus movimentos,
O brilho reluzente dos teus olhos
Deixam-me perplexo perante tanta beleza.

Tu és a donzela dos meus sonhos,
Tu és a causa dos meus encantos,
Tu és a finalidade de minha existência,
Tu és o sol que me alumia.

Tua longínqua presença
Não me afasta do teu perfume
Que está impregnado no ar que respiro.

Quem me dera que algum dia
No auge dos meus devaneios,
Eu possa sentir o néctar dos teus lábios.

Kelvis Albuquerque

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

VIAGENS FANTÁSTICAS











Infinitas viagens fiz
Por este mundo afora
De dia, de noite, qualquer hora
Primeiro foi meu Brasil
País de belezas mil
Rios, fauna, flora, minerais
Praias, serras, animais
Sedenta por outras terras, costumes
Encantei-me e fui atrás.

Viajei pela África, “berço da humanidade”
Suas encantadoras cidades
De estruturas geográficas antigas
África Branca, África Negra, pessoas amigas
Grandiosa vida selvagem
Vales férteis, rios históricos
Desertos gigantes, homens heróicos
Grande contraste da pobreza e riqueza
Uns com tão pouco, outros demais
Mas não me contive e fui atrás
De conhecer muito mais...

A Ásia conheci também
Maior e mais populoso continente
De grandes bacias hidrográficas
Da mais alta cadeia montanhosa
Himalaia: teto do mundo
Lar do Everest
De países de economia forte
Japão, Índia, China
Abrigo de animais raros, diversos
Ursos brancos, renas, hienas, leopardos, tigres...
Povo de fé
Islamismo, hinduísmo e budismo
Religiões principais
Vi muito mais.

Europa, origem do nome na mitologia grega
Não deixei de conhecer
Países de economia desenvolvida
Pessoas com bom viver
Índices sociais entre os melhores do mundo
Continente do euro, moeda mais importante
Predominância de planícies
De formações vegetais como a
Taiga, tundra, estepes, mediterrânea
De rios imponentes: Danúbio, Reno, Volga, Sena, Tamisa...

América de Américo Vespúcio
Conheci também
Segundo maior continente da Terra
Banhada pelos oceanos Pacífico, Atlântico e Glacial Ártico
De forma quase triangular
Com maior largura no EUA e Canadá
Povoada por europeus em diferentes áreas
Climas bastante diversificados
Flora de tundras, estepes, florestas, vegetação de deserto
Fauna de raposas, veados, lebres, serpentes, lagartos, esquilos, aves...

Inúmeros outros lugares conheci
Citá-los e descrever o que vi... impossível...
Alguns belos, fortes, gigantes
Outros frágeis, miseráveis, mas todos importantes
Belezas raras que jamais vou esquecer
Parar de viajar não vou poder
Pois sei da importância que tem a leitura
Para todo ser, para toda criatura
Aqui no meu sofá, na minha rede, seja onde for
Com muito amor e com um livro sempre à mão
Sempre viajarei nas asas da imaginação.

Socorro Moreira
Coordenadora/Professora

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

O BRASIL TEM CAMINHADO ASSIM

A História do Brasil está dividida do seguinte modo: Período Colonial (1500-1822); Período Imperial (1822-1889), Período Republicano (1889-1985) e Nova República (1985 até os dias de hoje). 
No Período Colonial, ficou à mercê do Reino de Portugal que, segundo os críticos, levou toda ou quase toda nossa riqueza; durante o Império, esteve sob o mando e os desmandos de Pedro I, no chamado Primeiro Reinado (1822-1831), dos Regentes, no Período Regencial (1831-1840), e de Pedro II no Segundo Reinado (1840-1889); por último, veio a tão esperada República como forma de governo, proclamada no dia 15 de novembro de 1889, e um novo sistema de governo, no caso, o presidencialista, tendo como primeiro presidente o marechal Deodoro da Fonseca. 
A República e o presidencialismo surgiram como uma esperança para o povo brasileiro, pois iriam pôr um fim a todas as mazelas da nação. 
Mas não foi bem assim. Depois de tantos presidentes da República, entre nomeados e eleitos, o Brasil amargou regimes ditatoriais que comprometeram o futuro de sua gente. Em 1988 viu um clarão de luz resplandecer em seu horizonte, com o advento da nova Constituição, tida como a mais democrática e a mais cidadã de sua história. O século XX entrou em seu crepúsculo e a recente ordem democrática ingressou na aurora do século XXI, renovando, em nós, aquela esperança de um Brasil emergente, principalmente na seara econômica. Pela primeira vez, o País elegeu (e com eleição direta) um torneiro mecânico, o senhor Luís Inácio Lula da Silva (o Lula) no ano de 2002 e passou a ser governando por um presidente saído das entranhas do povo, não mais da elite. 
Passados quase 13 anos desse século XXI, o Brasil, no momento governando pela senhora Dilma Rousseff (nascida também das entranhas do povo), ainda não atingiu níveis de qualidade de vida satisfatórios. Vivenciamos um momento crítico, de insatisfação quase generalizada, no qual praticamente nenhum cidadão de bem acredita mais em seus agentes políticos devido ao mar de corrupção que assola nosso "berço esplêndido". Há uma onda de violência urbana jamais vista (furtos, roubos, sequestros, homicídios, etc), bem como nunca se viu tantas crianças e jovens fazendo uso de drogas, educação pública básica totalmente fracassada, outros serviços essenciais, como saúde e transportes deprimentemente sendo prestados, enfim, aquilo que as pessoas esperam dos governantes, infelizmente, não vem a contento. 
Fica a pergunta: – Quais as perspectivas do povo brasileiro para as próximas décadas? 

Coreaú-CE, 09 de outubro de 2013.

Fernando Machado Albuquerque

domingo, 6 de outubro de 2013

MORTECULTURA

Nas beira-rios
Onde havia verde
Há concreto
Frio e morto
Inerte o horto
Que o homem fez
Não há quintais
Só andares
E elevadores
Computadores
Guiam a vida humana
Com sua insana
Fome de plantar
A morte
Em cada pedaço de chão
E aí então
Companheiro
O que colherá?

Benedito Gomes Rodrigues

terça-feira, 1 de outubro de 2013

LANÇADA A 1ª EDIÇÃO OFICIAL DO VEREDAS SINUOSAS - POESIA PROSA

Acaba de sair do prelo a 1.ª edição do livro Veredas Sinuosas Poesia e Prosa), produzido em coautoria por Benedito Rodrigues e Eliton Meneses. Lançado, antes, em caráter experimental, na editora virtual Blurb, o livro agora, revisto e ampliado, foi impresso em editora convencional (Sobral Gráfica e Editora), com a merecida inscrição no ISBN.  

Trata-se do primeiro livro lançado sob a chancela da Academia Palmense de Letras (APL), formado por uma coletânea de textos que retratam, em verso e prosa, vicissitudes do cotidiano, histórias familiares, a militância social e as inquietudes pessoais dos autores, além de outros aspectos da vida e da cultura, especialmente a das terras coreauenses.   

O livro conta com cerca de 170 páginas, em edição esmerada, e pode ser adquirido pelo valor de R$ 15,00 (quinze reais). 

Para adquiri-lo, é só enviar e-mail para os autores: fcoeliton@ibest.com.br (Eliton) ou beneditogr@hotmail.com (Benedito); ou, se preferir, ligar para (88) 9214-9130 (Benedito) ou para (85) 9679-7283 (Eliton). 

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Contagem regressiva Zero ou Enterro de indigente?

Clique aqui para saber mais.

PARTICIPE DO 1º CONCURSO LITERÁRIO DE COREAÚ

Estão abertas as inscrições para o I Concurso Literário de Coreaú, promovido pela Academia Palmense de Letras (APL). Serão premiados nesta edição os três primeiros colocados inscritos em cada uma das duas categorias - prosa e poesia -; os demais participantes receberão declaração de participação. 

O objetivo é premiar textos inéditos nas categorias PROSA e POESIA, valorizando e dando visibilidade, assim, à produção textual do município. Podem se inscrever candidatos residentes ou nascidos em Coreaú, que nutram algum vínculo familiar ou social reconhecido com o município.

Conheça o edital e se inscreva na aba I Concurso Literário de Coreaú, deste blogue.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

COREAÚ - 143 ANOS


Ó vale outrora verdejante; 
Do voo rasante do urubu; 
Ó terra de pássaro errante; 
Do último sopro do boi-zebu. 

Ó várzea um dia deslumbrante, 
Povoada pelo intrépido Arariú, 
Das palmas do negro retirante; 
Da fazenda do riacho Coreahu. 

No horizonte, a silhueta da serra; 
Em setembro, há aroma de caju; 
O algodão se foi, restou na terra: 
A carnaúba e o voar do sanhaçu. 

Torrão de tanta história passada, 
De gente que vaga de norte a sul, 
Que um dia se foi na tua estrada, 
Mas nunca esqueceu teu céu azul. 

Eliton Meneses

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

OS CRISTOS DESTE MUNDO

Se Cristo viesse ao mundo de hoje?

Seria humilhado e maltratado, assim como o foi!

Os pregos e cravos que penetraram o seu santo corpo, sem dúvida, hoje o penetraria com tamanha perversidade!

Muitos dizem: “- Oh, Cristo, quando Tu virás? Sou uma das tuas ovelhas!

Entre anjos e trombetas, o livro sagrado anuncia a volta arrebatadora do Salvador.Não diz quando nem onde...

Somente diz que Ele virá na glória de um rei celestial! Um rei? Eis a questão! Um rei...

Mas os homens de pouca fé não conseguem ver que o Messias – o rei - já está aqui, está no meio de nós, está em muitos lugares!Está na pessoa do aleijado, do encarcerado, dos sem-terra e sem-teto, dos famintos, do menino de rua – o andarilho errante e perdido no mar dos desesperançados - do drogado e dos órfãos de justiça!O Messias está em tantos personagens da vida marginalizada!!Até mesmo os que dizem que são “tementes a Deus” não sabem que o Cristo se faz na pessoa dos pobres de espírito; Quando pregava às multidões, o Salvador disse “Não vi para os sadios, mas sim para os doentes!”

Muitos dizem ter fé! Muitos estão nas sinagogas buscando a Verdade, mas em verdade, muito provavelmente, são eles os fariseus, demagogos e “falsos profetas”. Escutam muito mais os tilintar das moedas, e se fazem de cego e mudo perante o sofrimento do irmão. Sim, do irmão! Aquele mesmo irmão de “carne e osso”, com os defeitos e necessidades! O Cristo disse: “Amai a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”. Muitos dizem ter fé, porém, é uma fé cega e surda! CEGA porque não conseguem ver os irmãos-CRISTO a perecer no mar da amargura, nos guetos fétidos e desumanos, sem nenhuma perspectiva do agora e do depois! SURDA porque não conseguem escutar os clamores das minorias oprimidas, da mensagem evangélica que sai da boca dos Cristos deste mundo!

O Cristo está aqui! Vive entre nós! Está tão perto, porém, tão distante! Perto porque são muitos os que pedem clemência! Está longe dos corações petrificados, insensíveis ao sofrimento do irmão. E agora, o que fazer?! Amá-lo ou ignorá-lo?! Afinal, veja que não é aquele REI tão pomposo, cheio de glorias e trombetas; nem é aquele Cristo branco, pintado bem ao gosto da Europa, e não ostenta luxuria nenhuma! É apenas um irmão-Cristo, um irmão terreno que pede auxílio e proteção! É tão somente o meu, o teu, o nosso Messias gritando por uma sociedade que tenha, como base primacial, a igualdade, a fraternidade e a liberdade. Esses são os Cristos deste mundo!!

Davi Portela
Membro da APL

domingo, 22 de setembro de 2013

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

TEMPESTADE

T   M  E  T  D
   E   P   S   A   E

O vento vem,
A poeira sobe,
O povo grita,
As portas fecham,
As crianças choram,
As mulheres rezam,
Os homens resmungam,
As árvores balançam,
As telhas batem,
Os cães latem.
O
r
e
d
e
m
o
i
n
h
o
Arrasta
tudo
que
está
no
seu
caminho.


Jesus Frota Ximenes

O CEGO E SUA ÓTICA

Havia um cego
Que pedia esmolas
Em meio às sacolas
Do, dali, comércio.

Gritava alto
Clamando por pena
Deprimente cena
De miséria humana

Defronte à ótica
Onde estava
Quem ali passava
Podia lhe ver.

Não sei qual cego
De fato era
Mas se tolera
O seu sofrer.

Ninguém o via
Pesar dos gritos
Em seus finitos
Mundos se foram.

Multidões passaram
E quantas viram
Ou se admiram
Do que ele escolheu?

Penso que o cego sou eu
Que demorei ver:

Quão triste é a contradição
Um cego balançando a mão
Suplicando em frente à ótica
Em sua cena
Obcena
Exoticamente
Humana.

Benedito Gomes Rodrigues

domingo, 8 de setembro de 2013

SERTÃO

A seca chega ao sertão,
O povo se preocupa,
O gado emagrece,
Água não tem,
Forragem tampouco,
O dono a desesperar,
Os animais têm fome e sede,
A família pra alimentar,
A esperança é ativada,
A primeira gota cai,
Chuva no roçado,
Fartura no sertão.

Jesus Frota Ximenes

INSPIRAÇÃO ZERO!

Estou sentindo uma energia
Que me pede para fazer um poema
Mas preciso de inspiração
E não sei qual será o tema.

Começarei falando de amor,
Um amor eterno e lindo,
Mas como de amor?
Se amor eu não tenho e não sinto.

Falarei então de amizade,
Um sentimento tão leve e descontraído,
Mas se eu já disse que é leve e descontraído
O que mais me resta falar, a respeito de um amigo?

falarei a respeito de futebol
Um esporte bonito e competitivo
Onde vence o time que melhor jogar em grupo
Mas espera! Lembrei!
Não gosto de esportes coletivos!

Portanto, escreverei acerca dos números,
Falarei de equações, fórmulas e álgebra,
Mas por que meu poema será sobre números?
Se eu amo o português, e não a matemática.

Desisto de fazer este poema
Que teima em permanecer oculto dentro do coração,
Afinal, não sou mesmo um poeta,
Sou apenas um garoto sem nenhuma inspiração!

Kelvis Albuquerque

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

MEMÓRIA

Pego a caneta, mas a memória falha e não deixa eu expressar.
Sei que são muitas as coisas que tenho a escrever,
Mas a memória não está mais como antigamente.
Não sei se estou escrevendo correto,
Mas é isso que consigo fazer neste momento.
Enquanto a memória não me ajudar a fazer meus poemas,
Vou apenas escrevendo o que me é possível.
Espero que o tempo não me faça mais esquecido.
Porém, ele passa e eleva consigo os tempos da juventude.
A minha memória e o tempo estão me direcionando a um fim,
Que apenas a história é capaz de lembrar.

Jesus Frota Ximenes

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

O LOBO

Sempre, às vezes...
Vejo um lobo desgarrado.
Sozinho em sua trilha;
Não vai seguir a matilha,
Pois querem uma vítima fraca,
E só quem merece ele ataca.
Por que então segui-la?
Ele sabe que é.
E o que são ele não é.
Seguindo seu caminho,
Ele é um bom lobo mau.

Francisco Eleumar Vaz Cordeiro

BANDEIRA DE COREAÚ EM FOTOMONTAGEM


A ÁGORA E O AGORA!

Não me interessa uma cidade deles. Onde eles cruzam a bola e correm pro cabeceio. Interessa-me uma cidade viva, que se discuta, se planeje, se curta! Uma cidade onde os homens sejam sujeitos de sua história. Uma cidade onde a dor seja sofrida em grupo e a cura seja buscada, coletivamente! 

Para que quero uma cidade onde os doutores gritam e eu apenas ouço, escolhendo ficar calado ou sair correndo?! O que querem de mim, nessa cidade? Que eu seja como as rochas e dormentes de trem, que se deixam ficar anos a fio, vendo o tempo passar? 

Interessa a elas apenas meus impostos, minhas taxas, meu pouco sangue? Ora, não foi essa vida que eu escolhi pra mim, enquanto cidadão! Quero viver a vida, chorar, gemer, sorrir, ser feliz! Quero a dor, quero o amor, o desamor, a festa, o rega-bofes e não apenas a fatura fria! Quero minha cidade pulando que nem cabrito nos montes da vida. Quero minha gente na vanguarda da felicidade, montando o alazão da contemplação da vida! 

Chega de mesmices e de senhores sisudos gritando palavras que me ferem as oiças! Pra lá, doutor! Leve daqui seu balaio de sandices! Quero outro mundo!

João Teles de Aguiar

PERPASSA O VERSO A CRIAÇÃO


falta inspiração
profundamente
em olhar a beleza
evidente
que se esbanja
a frente do poeta
que 
para
pensa
repara
repensa
regurgita
e acredita
que aquilo que ele escreveu
realmente
é poesia
inspirada em sua inteligência
falta a crença humilde
ora, que nada, que escreve
retrata
antes, cria
o que se quer
ou não se espera
do mundo
que rodeia
o fundo
de toda poesia.

Benedito Gomes Rodrigues

O NASCER DO DIA


Os pássaros vivem a cantar,
A dona começa a pelejar,
As galinhas a cacarejar,
Assim começam a labutar.

O galo canta o primeiro canto,
O cachorro vem com o latido,
O dono aparece abatido,
Saindo do quarto de um recanto.

Uma vaca aparece mugindo,
O garoto começa a chorar
E sua mãe vem para consolar.

O sol nascendo no horizonte,
As portas começam a se abrirem,
Brotando um novo dia no sertão.

Jesus Frota Ximenes

domingo, 1 de setembro de 2013

OU MUDA OU SE ESVAI

Foto do Blogue Coreausiará.
Eu clamo um hino novo de verdade,
Colorido pelo novo reluzir.
Eu canto um dia novo pra cidade,
Construído pelo fator de agir.

E cada luz que se passa vai,
De alumbramento, à minha tristeza.
Ó, terra nossa, que é nossa riqueza!
Eu ei de ter-te; muda ou se esvai.

Que nada tema, nem nos apavore,
Por mais longínqua que esteja a conquista,
Que o oportunismo não nos devore,

Nem que o amor largue a nossa vista.
Faço estes versos a minha oração;
Não caia, ó luta, que embala a canção!

Benedito Gomes Rodrigues

VAQUEIRO

Pintura de Ernst Zeuner
Hoje é sexta
A ração foi dada
Para boiada
Depois da sesta.

Estão no curral
Para descansar
E a noite passar
Deitados no bamburral

O vaqueiro levanta
Cinco horas da manhã
E seu filho lá está.

Entregaram a mãe
Para a distribuição
No café da manhã.

Jesus Frota Ximenes

sábado, 31 de agosto de 2013

EI DE FAZER


Ei de ver formosa a minha terra:
Verde claro, rosa, em seus serrotes;
Luzir do rio, crianças em magotes,
Ante a união que o amor encerra.

Ei de ver o recriar-se de uma aurora,
Tendo em via a renovação,
Partilhar com outros a mudança-ação;
E sorrir, menino, ao chegar da hora.

Ei, e sei que ei efetivamente,
De erguer meu braço e a minha voz
Junto a irmãos, lutarmos nós.

Ei de saber, pobre, inclemente,
Que nem tudo há de ser vitória,
Mas no pequeno que se faz história.

Benedito Gomes Rodrigues

AONDE VOCÊ QUER CHEGAR?


Aonde você quer chegar? 
Com o traseiro sentado na poltrona 
E a boca aberta para o ar! 
Se você não lê o que eu escrevo, 
Nem me revela o que tem a falar! 
Aonde você quer chegar? 
No cume alvo do Himalaia, 
Ou nas fossas sombrias do mar? 
Se há um rio caudaloso a ser cruzado, 
Mas não há ponte nem você sabe nadar. 
Aonde você quer chegar? 
Sem um livro para ler do seu lado, 
Sem uma mão amiga a lhe consolar. 
Se os seus amores estão distantes, 
E as pessoas do lado esqueceu de amar. 
Aonde você quer chegar? 
Se o vento lhe leva como uma folha, 
E a sorte não lhe resolveu bafejar. 
Se a vida é uma estrada de sonhos, 
E lhe falta a coragem de caminhar. 
Aonde você quer chegar? 
Se você não estende a mão amiga, 
E a alheia miséria lhe faz gargalhar. 
Se você se esconde da tempestade, 
E se ufana quando começa a clarear. 
Aonde você quer chegar? 
Se não engana sequer a si mesmo, 
A quem mais você pensa enganar? 
Se a um passo encontra o abismo, 
E o paraíso é tão difícil encontrar! 
Aonde você quer chegar? 
Se a vida não foi o sonho de criança, 
E o tempo não lhe permite mais voltar. 
Se não conseguiu melhorar o mundo, 
Ao menos a si mesmo procure mudar! 

Eliton Meneses

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

NA SOCIEDADE

Os homens gritam,
As mulheres choram,
Os meninos devoram,
As garotas gostam,

As famílias brilham,
Os vizinhos oram,
Os amigos molham,
Os parentes apavoram,

Os professores aplaudem,
Os patrões adoram,
Os outros invejam

A alegria de uns,
A tristeza de alguns
E a inveja de outros.

Jesus Frota Ximenes

POESIA, TEMPO E IRONIA

Perdi o encanto por tê-la recusado,
A mensagem que hoje dorme à escrivaninha.
Larguei-a ao léu do frio, inconformado,
Contudo, não larguei a angústia minha.

E com o tempo que a tudo consome,
Repartiu-se pobremente meu amor.
Na palavra não havia mais meu nome;
Esvaiu-se por completo meu labor.

Tal tristeza carregava a poesia.
Eu, teimoso, cultivei-a, salutar.
Maltrapilhos versos do passado.

Porém, houve o dia de lembrar,
Rebusquei-os no fundo empoeirado,
O invés de preces à humana ironia.

Benedito Gomes Rodrigues

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

ESCREVER

O que escrevo?
O que não tenho
Solidão é escrita
Fruto do vazio.

Escrevo o descontentar
Que sai do pensamento
Trazendo o sofrer
Aumentando o rebento.

Escrever é choro
Que traz a escrita
Pra vagar no mundo.

Escrever é resgate
Que faz o existir
Falar por si.

Jesus Frota Ximenes

MENOS QUE O PÓ, MAS TÃO GRANDE

Agressivo!
Grito incontido
Palavra inconteste
Nada me arrepende mais
Que a palavra que ficou pra trás
E, ela, adeus-e-mar,
Repetiu-se
Inúmeras
E soturnas
Vezes solilóquias
Comigo
Nas noites em que perdi
E pior
Nas noites em que dormi
Com elas.

Nunca pensei que valessem tanto
Mas provei da pior forma
O sabor amargo das palavras
E, entretanto, teimo em proferi-las
Talvez porque me engane ao pensar-me sábio
Talvez porque tenha certeza que da próxima vez
Será diferente
E, de fato, o será
Até pior
E mais obscuro o nó
Que me causam
No qual me amarro
Voluntariamente
Evidentemente
O tempo passará
E as palavras valerão
Bem menos
Que o pó
Que suja minha camisa.

Mínimo pó
Que atormenta meu sono.

Benedito Gomes Rodrigues
Membro da APL

terça-feira, 27 de agosto de 2013

AMOR EM FLOR



Minha terra tem palmeiras?
Não! Minha terra tem amor! 
Onde a felicidade reina;
Uma terra de amor em flor. 
Flores da humana beleza; 
Na relva de suave frescor;
Cultivo de rosa vermelha;
Um rio que corta sem dor; 
Amor eterno amor;
Com ele é que me salvo;
Com ele é que me guio;
Sem ele sou vaso sem flor;
Uma folha seca no vento;
Um arco-íris sem cor;
O que seria da vida,
Se não houvesse o amor?

Marinara Rodrigues
Rio de Janeiro/RJ

DELÍRIOS

Palavras não bem escritas,
Amor não correspondido,
Histórias cantadas, ditas
A um coração compreendido.

Numa estrada solitária
Vivo a caminhar perdido,
Em busca sempre contrária
Do meu grande amor vivido.

Estou a caminhar na dor:
Solidão do coração,
Para encontrar o meu amor.

Nos meus devaneios da vida
Vivo a vagar pela noite
Na esperança da partida.

Jesus Frota Ximenes

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

LUAR

Noite de luar
Embaixo do juá
Não quero brilhar
Quero é voar.

Luar do sertão
Sertão do coração
Coração da paixão
Paixão sem chão,

Quero ir pro rio
Pra sentir o frio
No bril do luar.

Pra ficar sozinho
Com o amorzinho
Na beira do riozin.

Jesus Frota Ximenes
Coreauense, mestrando em Literatura Comparada (UFC)

FICOU A FLOR

Não queria pisar na flor
Morta
Que estava ao caminho.

Queria passar direto
E esquecer sua existência
E não me martirizar por tê-la pisado.

Queria não pensar nesses detalhes
Que me remetem sofrimentos longínquos.

A flor mais viva que matei
Larguei ao caminho e fui
E a flor ficou.

Ficou mesmo sem que eu a tivesse trazido
Comigo.

Benedito Gomes Rodrigues
Membro da APL

domingo, 25 de agosto de 2013

Será amor?

E de repente me vi nos teus olhos.
Me vi na tua boa.
E não me encontrava, eu estava perdida no seu corpo.
E não queria mais nada, eu só queria você.

E mergulho na tua alma.
Chego a sair somente para morder os teus lábios.
E te desejo tanto que chego a perder os sentidos.
Eu quis escapar dos teus braços e me manter em segurança.

Me invade de uma forma esquisita, mas eu gosto.
E me desperta o desejo de ter só mais uma vez.
Eu te vi refletido na lua.
Eu te quis, só mais uma noite. Só mais uma noite.

E nas horas do riso, cobrou-se o carinho.
E nas horas do medo, o cuidado.
E nas horas de lágrimas, o consolo.
E nas horas de dúvida, um beijo.

E quando se viram um no outro disseram: E agora o que será?
E se olharam, e responderam um ao outro:
Somente o tempo revela os segredos de um pertencer,
Quem sabe essa forma estranha de te querer não seja enfim o que chamam de amor?

Rilna Barros
Acadêmica de Letras - UVA

PEDIDOS

Peça-me e te darei!

O que queres de mim?

Queres uma obra acabada?
Queres uma palavra amiga?
Queres um “sem-defeito”?
Queres um “sim!”?
Queres que suma?
Queres que diga o que queres?

O que exiges de mim?

Peça-me, peço-te!

Exige-me ser igual a ti?
Exige-me correspondência?
Exige-me humanidade?
Exige-me olhar humilde?
Exige-me submissão?

Não!

Nada do que tu pedes tenho.
Nem sempre, quero dizer.
Nem sempre seu discurso
Repetitivo
Sacia minha vontade de fazer
Com a vida e com você
O que bem quero.
Porque me exiges tanto
E mesmo assim suas exigências
São exíguas ante as minhas?

Benedito Gomes Rodrigues

SEMÁFORO

Hoje o dia está triste. Não. Não é mais um dia triste dos quais já vivi, mas está sendo o pior dia da minha longa vida solitária. Neste cruzamento moro há anos e sempre presencio as mesmas coisas diariamente: carros vêm, carros vão e todos com uma educação zero, pois sempre estão fazendo muito barulho.

Ah! Qual é a minha função?

Informar aos carros a hora de parar, em seguida adverti-los que prossigam o seu caminho, depois volto a soltar fogo pelos meus olhos para que esses barulhentos parem novamente.

Imaginem fazer o mesmo sempre, que chatice, hem! O que me salva são as árvores que moram nos canteiros das grandes avenidas. Porém, passam pela minha mesma situação: solidão, vazio, o nada. Elas ainda sofrem com a liberação dos fumos das descargas dos carros. Isso me faz sofrer duplamente, ou seja, por mim e por elas.

Muitas dessas árvores são assassinadas e esquartejadas para satisfazer os caprichos dos homens, com a desculpa de deixar a cidade mais bonita e o trânsito mais rápido.

As árvores são as minhas únicas companheiras da solidão que compartilhamos, porém há momentos que uma folha é levada pelo vento até os meus olhos que chega a me incomodar, mas não me zango, pois sei que faz parte do ciclo de vida delas.

Amigos, imaginem em um domingo ou em um feriado o quanto o vazio, a solidão aumentam, pois não consigo ver um carro passar fazendo barulho, um homem mexendo com as árvores, apenas sinto o vento passar e balançar as folhas das minhas únicas companheiras.

Vivo para o nada passar. Assim viverei até a morte me alcançar, pena que sofre com a tal longevidade. Já estou no desespero clamando ao amigo, se assim posso chamá-lo, ferrugem que me leve o quanto antes. Só assim o meu sofrimento será extinto e poderei voltar às minhas origens: o nada, o vazio. 

Jesus Frota Ximenes