domingo, 25 de junho de 2017

NATALI

Entre um paciente e outro, não parava de pensar nele. Estava na África, em Serra Leoa, como médica de uma ONG humanitária. As crianças não paravam de chorar, o hospital improvisado estava apinhado de vítimas do Ebola. Mesmo em condições tão adversas, não parava de pensar nele. Pensava na última conversa que tiveram. Eram amigos há doze anos, conheceram-se na escola ainda adolescentes. Ela era a melhor aluna da escola, até que ele chegou e lhe tomou o posto. Em algumas semanas eles estavam estudando juntos na casa dela, muito chegados um ao outro. No primeiro encontro a tia hesitou diante da intimidade dos estudantes e Natali a tranquilizou:
– Não se preocupe, tia. Há duas semanas não namoro mais o Pedro.
Havia muitas afinidades entre eles. Eram interioranos, pobres e tímidos. Eram também inteligentes, idealistas e perseverantes. A escola pública era na periferia, estudavam à noite, no intervalo ofereciam-lhes droga; seria improvável eles passarem no vestibular. No entanto, com livros usados dos sebos da cidade, na primeira tentativa, os dois ingressaram na universidade pública. Ela foi fazer medicina; ele, direito.
Ele dava aulas particulares e a ajudava a comprar os livros do curso de medicina. Sempre se encontravam para longas e agradáveis conversas. Ambos se conheciam muito bem. Trocavam confidências. Gostavam um do outro, mas um gostar que, conscientemente, não ousava atravessar a fronteira da amizade.
Num dos encontros, tomaram três taças de vinho e trocaram algumas carícias. Natali pensou em beijá-lo, em contar-lhe um sonho recorrente que ela costumava ter, em perguntar-lhe o que ele sentia por ela, mas a timidez não permitiu. Ao final, ele convidou-a para dormirem juntos e ela, desconcertava, recusou.
Passaram um ano sem se ver. Ele ligou três vezes, ela não atendeu, até que ela resolveu ligar para convidá-lo para a sua colação de grau. Ele inicialmente recusou o convite, disse que estava estudando muito para o concurso da diplomacia e não poderia perder tempo com formalidades; assim mesmo, um dia antes do evento, ligou perguntando onde seria.
Natali era a oradora da turma. No seu discurso, agradeceu a Deus, à tia, à proteção da mãe já falecida, até que chegou nele, a quem dedicou uma homenagem longa e emocionante, que arrancou lágrimas e aplausos. Naquela noite eles beberam vinho até tarde. Ela havia prometido para si mesma que, se ele a convidasse novamente para dormir, ela aceitaria. Mas, nessa noite, ele não a convidou.
Dois meses depois, ele ligou para dizer que havia sido aprovado para o Instituto Rio Branco e iria estudar em Brasília. Ela ficou num misto de tristeza e felicidade e disse que ia começar a residência em infectologia.
No último encontro, ele já estava, como diplomata, intermediando um acordo de paz em Timor Leste e ela, como médica, tentando salvar vidas na África. Nesse encontro, a conversa fluiu como sempre agradável, até que ele falou que estava amando outra pessoa. Natali tentou dissimular a perplexidade e acabou descobrindo que se tratava de uma pessoa bem diferente dela, bem diferente dele. Não conseguia compreender isso. Ele nunca a assumiu e agora estava disposto a assumir uma mulher com dois filhos, mais velha do que ele e ainda importunada pelo ex-marido. O que teria essa mulher? Pensou em se declarar para ele, em beijá-lo, em pedir para que ele dormisse com ela essa noite, em pedir para que ele não casasse com essa outra mulher... Não conseguiu. Desejou boa sorte ao amigo, despediu-se dele como sempre se despedia e foi chorar em sua cama solitária.
Pedro foi seu primeiro e único namorado. Estava com ele há três meses quando Dimitri apareceu na escola. Não se arrependia de tê-lo deixado. Percebeu desde o princípio que sua relação com Dimitri não seria uma amizade qualquer. Sinceramente, ela não acreditava em amizade entre homem e mulher, sobretudo se ambos fossem jovens e bem-apessoados. O tempo, porém, insistia em negar sua convicção. Dimitri tinha à época quinze anos; ela, dezesseis. Quando o viu pela primeira vez pensou:
– É ele!
Não conseguia compreender como um sentimento surgido de forma tão arrebatadora não havia ainda resultado em namoro, ao menos num namoro formalmente declarado. Depois de um começo animador, de um afago na casa da tia, os encontros largaram o rumo do namoro e seguiram a tendência da amizade. Quando no ano seguinte ele deixou a escola, os encontros foram aos poucos minguando. No segundo ano, em escolas diferentes, viram-se pouco. Já no terceiro ano, as conversas se amiudaram. Era época de vestibular. Combinaram de estudar algumas vezes juntos, de trocarem apostilas, de comentarem o livro de cabeceira. Falavam-se no telefone até tarde.
Não esquecia o dia em que foram à praia. Pela primeira vez viu Dimitri sem camisa. Era magro, não tinha músculo, o tórax pálido parecia não ter visto sol há alguns anos. Ele se pôs a ler um livro, sentado na areia, erguendo a cabeça volta e meia para contemplar uma jangada distante, enquanto ela ainda decidia se ficava ou não de biquíni. Admirava a serenidade do amigo, a sua discrição, o respeito com que ele a tratava, às vezes até demasiado. No fundo, esperava um pouco mais de ousadia por parte dele. Ele que pedisse para ela ficar de biquíni. Se não pediu é porque não estava interessado em vê-la. Ficou mesmo de calça e camisa. Abriu um livro e também se pôs a ler.
Anos depois, Dimitri confessou que estava ansioso para vê-la de biquíni e que pensou em pedi-la para tirar a roupa, mas achou que a ousadia seria mal interpretada e preferiu não tocar no assunto.
No final de um dia terrível, em que duas crianças e um adulto haviam sucumbido à epidemia, Natali recebeu no acampamento o convite para o casamento do amigo. Ficou pálida, pensou em rasgá-lo, em jogá-lo na fogueira, mas se conteve e, antes de amassá-lo, uma lágrima caiu sobre o nome do amigo. Naquela noite não conseguiu pregar os olhos. No meio da madrugada, insone, sentou-se no terreiro deserto, iluminado apenas pelo céu estrelado, e chorou copiosamente, como nunca havia chorado antes. Aquilo devia ser um pesadelo. Não podia acreditar. Dimitri não era apenas um amigo. Era muito mais do que isso. Pela primeira vez sentiu ciúme, sentiu ódio de uma pessoa cujo nome nem chegou a ler. Não teria coragem de ir àquele casamento. Não conseguiria suportar. Em um mês o seu Dimitri estaria casado com outra.
Perdeu todo o prazer no que fazia. Passou a dedicar-se mais ao trabalho para compensar a repentina falta de atenção. Não conseguia comer. As noites alternavam-se entre a insônia e os pesadelos com o casamento. Ninguém sabia o que estava acontecendo com ela. Com a imunidade baixa, não poderia desafiar o Ebola. No sétimo dia de suplício, resolveu ligar para Dimitri e pedir um encontro de emergência.
O encontro não pôde ser em Fortaleza. Dimitri estava de passagem em Joanesburgo, sem tempo, mas aceitou ir a Freetown falar com a amiga. Natali foi apanhá-lo no aeroporto e à noite foram a um restaurante às margens do Atlântico.
– Recebeu o convite? – perguntou Dimitri.
– Sim. – respondeu Natali.
Natali havia preparado um longo sermão para o amigo, com a ideia de extravasar todos os sentimentos represados há muito tempo em relação a ele. Logo que o viu, porém, deu-se conta de que uma declaração dessa natureza estava além das suas forças.
– Como vão as coisas, Dimitri? O trabalho, a noiva...?
– Suponho que você não me trouxe aqui para falar do meu trabalho, não é mesmo? Quanto à noiva, não sei de que noiva você está falando...
– Ora, a senhora dos dois filhos, perseguida pelo ex-marido...
– Não estou mais com ela...
– Nossa! Então... Bem, mas convidei-o apenas para dizê-lo pessoalmente que não vou ao casamento!
– Não vai?!
– Não vou! Tenho meus motivos para não ir. Na verdade, tenho muitas coisas para dizê-lo, mas somente consigo afirmar que achei uma afronta aquele convite.
– Uma afronta?
– Uma afronta!
– Nossa! Pensei que você iria gostar.
– Desde que recebi o convite, estou sem conseguir comer e dormir. Ando dispersa, não sei como estou indo ao trabalho.
– Não era para tanto. Pensei que você gostasse de mim...
– Claro que gosto, mas gosto de um jeito que você talvez não entenda.
– Acho que agora, definitivamente, estou entendendo.
– Se tivesse entendido não teria enviado aquele convite.
– Era apenas um convite! Não precisava convertê-lo num drama.
– Um simples convite? Depois de doze anos, Dimitri, pela primeira vez estou tendo a sensação de que você é uma pessoa fria.
– Eu? Frio?
– Desculpa, Dimitri! Sei bem que você não é frio, muito pelo contrário. É que gosto muito de você e aquele convite me abalou bastante.
– Não estou entendendo nada, Natali. Você leu mesmo o convite? Tudo bem que o recusasse, mas não havia motivo para abalo.
– Havia sim, Dimitri. Os motivos estão guardados no fundo do meu ser.
– Você é uma pessoa muito misteriosa, Natali. Pensei ter descoberto seu segredo. Enganei-me redondamente. Pensei que você me amasse.
Natali marejou os olhos de lágrimas e, desconcertada, falou:
– Eu te amo, Dimitri!
– Me ama e recusou o convite...
– Recusei o convite exatamente porque te amo. Não suportaria ver você casando com outra.
– Natali, você leu o meu convite?
– Já disse que li.
– Tem certeza que leu?
– Confesso que caiu uma lágrima em cima do seu nome.
– Qual é o nome da noiva, então?!
– O nome da noiva? Depois que li o seu nome entrei em pane.
– Hum. Acabei de descobrir o seu segredo. Você tem o convite?
– Acho que rasguei, joguei na fogueira, não sei ao certo...
– Espere, tenho um aqui, você poderia lê-lo?
– Por favor, Dimitri, não me faça sofrer mais!
– Natali, peço-lhe apenas que leia o nome da noiva, por favor.
Natali tomou o convite, hesitou antes de lê-lo, mas, de repente, uma luz enorme invadiu o seu ser, quando viu, com os olhos cheios de lágrimas, que o nome da noiva escrito no convite era: Natali.

Eliton Meneses

A IRRACIONALIDADE E A INSENSATEZ HUMANA


(2ª parte – a saga continua, continuação da história publicada no Blog da APL em 02/03/2015).

Continuação da saga de uma cidadã, mãe de família, nordestina, educadora e servidora aposentada, em que seus algozes (“turma sem noção” ou seria “turma do sem jeito”) não lhe dão trégua, sossego e muito menos paz ou respeito, pois desde o ano de 2002 essa luta ainda não acabou. Como disse: Vocês não vão acreditar. É que ... Pois bem!.
Toda essa história poderia ser resumida na seguinte frase: Essa turma não se cansa de bater e muito menos de apanhar.
O incrível foi o que viria acontecer, pois o órgão do 1º emprego nos idos do ano de 2002, o seu RH requereu oficialmente um parecer jurídico do Procurador Federal do próprio órgão, tendo a Procuradoria expressamente se manifestado pela constitucionalidade da acumulação dos dois cargos públicos. Não esquecendo ainda que no ano de 2002 este órgão público respondeu oficialmente a consulta promovida pela Secretaria de Administração estadual (do 2º emprego), afirmando categoricamente que o cargo exercido pela então servidora era de natureza técnica, portanto os cargos públicos eram acumuláveis (técnico de nível médio e/ou profissionalizante no órgão federal e o de professora estadual), face à compatibilidade de horários.
Já no ano de 2005, em Procedimento Administrativo aberto pelo Parquet em 2004 para averiguar supostas irregularidades na área de pessoal, a direção de Recursos Humanos do órgão federal do 1º emprego fez oficialmente a mesma consulta sobre supostas irregularidades na autarquia, especialmente os casos de acúmulo de cargos. A resposta constante do Relatório do Parquet foi clara, objetiva e pela legalidade da acumulação, inclusive elogiando tais profissionais, por prestarem relevantes serviços à sociedade e a educação do Estado. Esse Relatório do MPF foi aprovado e homologado pelo órgão superior do Parquet.
Como se não bastasse tudo isso – o que já era inacreditável (negativa de posse pelo ente estatal em 2002, Mandado de Segurança transitado em julgado em 2006 assegurando a posse no cargo de Professora, abertura de Sindicância em 2009, PAD em 2010, com a Professora já aposentada por invalidez em 2010 publicada no DOE – Diário Oficial do Estado, e apesar do ofício de encaminhamento e processo de autorização da aposentadoria ter sido expedido no 2º semestre de 2009 pela mesma Secretaria de Governo que abriu o PAD em 2010), é que a servidora aposentada é surpreendida em 2011 para responder e se defender a uma sindicância sobre acúmulo de cargos públicos pelo órgão federal - 1º emprego (aquele mesmo que em 2002 a sua Procuradoria Jurídica expediu Parecer fundamentado pela acumulação legal dos cargos públicos, de ter expedido ofício ao ente estadual afirmando que o cargo de nível médio era de natureza técnica, e de ter oficialmente questionado o MPF sobre esse mesmíssimo tema/assunto e o Parquet manifestado favoravelmente pela acumulação), tendo durado até o ano de 2012.
Nos anos de 2011 e 2012, foram apresentadas tempestivamente duas defesas/respostas (com farta documentação) para encartar no processo de sindicância visando apurar suposta irregularidade na acumulação dos cargos públicos, mas o órgão ignorou, não considerou e não levou a sério, e ainda nada fez de ético (como se ela não tivesse apresentada nenhuma defesa, vez que nada foi enviado e/ou informado a Corte de Contas), e selou o seu futuro incerto, turvo e nebuloso. Ciladas e armadilhas foram perpetradas por alguns ex-colegas de trabalho, mas toda a trama está sendo denunciada, desmascarada e registrada nessas respectivas defesas (ficou por isso mesmo e ninguém foi responsabilizado administrativamente até agora). Quando imaginou que não seria mais incomodada, e o mais absurdo e surpreende acontece: é notificada pelo da abertura de um PAD em 2013, dando prazo fatal de 10 (dez) dias para optar por uma das aposentadorias.
Como adiantado, o lamentável, o inesperado e o inimaginável aconteceu em fins de 2013, quando numa linda manhã ensolarada, estando em sua casa cuidando dos seus afazeres domésticos, e na condição de há quase quatro anos na inatividade dos dois cargos públicos exercidos legalmente desde o ano de 2002, a aposentada é surpreendida em seu portão por um mensageiro/portador de um envelope onde constava uma intimação oficial do órgão federal - 1º emprego, comunicando da abertura de um PAD (processo administrativo disciplinar), em que dizia do prazo fatal de dez dias para optar por uma das aposentadorias (estadual ou federal, referentes aos dois cargos públicos exercido na atividade), oportunidade em que deveria apresentar defesa prévia, apesar de já constar o anúncio da degola.
Segundo ela, todo o pesadelo veio à tona novamente, como um filme de terror que passa na mente de quem vem sofrendo há mais de 13 (treze) anos verdadeiro, vergonho e brutal processo de perseguição administrativa. A intranquilidade, a incerteza e o desassossego se instalaram novamente em sua vida, pois já tinha enfrentado o mesmo problema desde o ano de 2002 (MS/STJ), e que perdurou até meados de 2011 (que, enfim, surtiu efeito, pois “a turma dos sem noção” e/ou seria “turma do sem jeito” botaram a viola no saco e pararam de incomodar, ou se mudaram para aporrinhar outra freguesia). Diante das novas ameaças e abusos, buscou a mesma ajuda especializada que já lhe havia socorrido quando da bronca estadual.
O pior de tudo isso ainda é ver e ler em uma Ata de reunião da Comissão do PAD a velada e expressa tentativa de prévio e antecipado linchamento administrativo da aposentada, quando notificada do PAD numa quinta-feira do mês de outubro/2013 e entregue sua Defesa na manhã da outra segunda-feira (no 11º dia), ver registrado em documento oficial que a acusada não apresentou defesa e nem provas ou contraprovas, e como se não bastasse essa teratologia administrativa, o mesmo incontroverso abuso e absurdo foi reproduzido nas peças judiciais de dois Procuradores do órgão de defesa da autarquia federal. Segundo a aposentada e seu defensor, não há dúvidas da necessidade de algumas pessoas voltarem aos bancos escolares lá do primário/1º grau menor para aplicarem corretamente a aritmética / matemática (a velha Tabuada), além de ler atentamente o CPC e Normas pertinentes (prazos/contagem de prazos). É muito lamentável e lastimável a que ponto o ser humano é capaz de chegar e/ou praticar atos reprováveis e inimagináveis no afã e na vã tentativa de prejudicar deliberadamente uma cidadã. Só por essa aberração administrativa (existem outras flagrantes irregularidades e ilegalidades) o PAD não podia/deveria subsistir.
Prontamente o especialista preparou em fins de 2013 mais um Mandado de Segurança com pedido de Liminar, visando garantir o seu direito de continuar recebendo legalmente as  duas aposentadorias e anulação do PAD, em face do acúmulo legal dos dois cargos públicos desde o ano de 2002, tudo em respeito aos princípios constitucionais e legais: da segurança jurídica, da cidadania, da dignidade da pessoa humana, da boa-fé, da proteção à confiança, da estabilidade das relações jurídico-sociais, da proteção à família, da irretroatividade, da irredutibilidade salarial, do ato/fato consumado, da estabilidade e do equilíbrio financeiro, da coisa julgada, do ato jurídico perfeito, do direito adquirido, do devido processo legal (das duas aposentadorias), da prescrição e/ou decadência e da proibição da prática de atos próprios contrários, isto é, o de que ninguém pode vir contra os próprios atos (equivalente axiológica da preclusão lógica/consumativa).
O Juízo federal, após ouvir os impetrados, lavrou fundamentadamente Decisão Liminar deferindo o pedido autoral* (1º “anjo da guarda”), e após ouvir os interessados e o Parquet, a mesma foi agravada (AI), sendo mantida a Decisão agravada por seus próprios fundamentos** (2º “anjo da guarda”).
Nesse interim, crente a aposentada e seu defensor de que a Justiça tarda, mas não falha e não falta, é que no ano de 2014, o Tribunal de Contas Estadual (TCE) homologou e ratificou a aposentadoria da professora aposentada em 2010, tudo publicado no Diário Oficial (DOE).
E graças ao Defensor, aos Anjos da Guarda e principalmente de Deus, que Decisão de mérito do 1º grau determinou o seu arquivamento definitivo e vedou a abertura de qualquer outro PAD para apurar acúmulo de cargos. *** (3º “anjo da guarda”).
Advindo a sentença de mérito do MS em princípio de 2015, sedimentando o entendimento da acumulação legal dos cargos públicos na atividade e acumulabilidade das aposentadorias, confirmando a Liminar e concedendo a segurança*** (3º “anjo da guarda”). 
Do resultado da análise meritória houve o apelo voluntário (além da remessa oficial obrigatória), sendo respondido a tempo e modo. O TRF irá analisar e apreciar a matéria (MS, AI e AC).
A esperança, a luta e o drama humano da aposentada por Justiça há cerca de quinze longos anos continuam. A tranquilidade, o sossego e a paz tão almejados pela desbravadora nordestina-nortista continuam aguardando a manifestação da nossa douta Justiça.
Será que a 3ª Parte de A Saga Continua está se revelando ainda mais cruel!? O mais inacreditável ainda acontece!. Pois bem, o ano de 2016 nem tinha começado direito, e o inimaginável, o inesperado, o imponderável e o teratológico mais uma vez acontece. – A ameaça é real e iminente. - Novos representantes da “turma sem noção” também rasgam (e violam literalmente) algumas Cláusulas Pétreas da CRFB/1988. – A ordem jurídica ferida precisa ser restabelecida. - Os Anjos da Guarda na terra também não se cansam (ainda bem) e são novamente chamados e acionados;
Não é replay. Repetimos: A saga continua. Mas a história desse capítulo é diferente. Muito mais ainda do que vocês possam imaginar e não vão acreditar! Já ouviram falar de uma situação real em que uma decisão administrativa proferida depois de mais de uma década tenta enfrentar e anular uma coisa constitucionalmente julgada!?. É isso mesmo. É inacreditável e inimaginável, é teratológico, ou seria outra coisa?. Replicamos: A saga continua ... E parece não ter fim. Não esqueçam, tudo começou em 2002.
(*) Decisão Liminar: “Diante do exposto, defiro a liminar para sustar os efeitos do procedimento administrativo disciplinar nº ..., instaurado em desfavor da impetrante, até julgamento final desta ação, ...”.
(**) Decisão: “Não havendo inovação fática, mantenho a decisão agravada por seus próprios fundamentos.“.
(***) Sentença: Dispositivo. “Diante do exposto, confirmo a liminar e concedo a segurança, determinando o arquivamento definitivo do Processo Administrativo nº. ... e vedando a abertura de novo processo administrativo para apurar a acumulação dos cargos pela autora da ação mandamental.”.
COSMO CARVALHO

domingo, 7 de maio de 2017

ODE A BELCHIOR


Tua palavra cantada
Com muita indignação
Teu verso bem calibrado
Cativou essa Nação 
Teu grito foi nosso grito 
Me sinto bem um cabrito 
Com o verso da tua mão! 

Nossa juventude sabe 
Há muito reconhecer 
O valor da tua voz 
E nunca esmorecer 
O verso de Belchior 
Já sabia minha vó 
Faz o chão estremecer! 

Verso enxuto, bem vestido 
Com a chita da bonomia 
Com o traço bem tramado 
Nos vales da boemia 
Lá no céu hoje tem festa 
Eu queria só a fresta 
Pra curtir essa orgia!

João Teles

segunda-feira, 25 de julho de 2016

O CÓRREGO

Fico a lembrar de coisas, que povoam a minha mente. Coisas, assuntos, ou ações, que podem parecer pouco significativas, mas reais. O dia acabava de nascer e nós seguíamos para o banho de riacho. Guardo até hoje a imagem daquela água tão cristalina, que se via por baixo uma mistura de pequenas pedras brancas e areia. Eu andava de um lado para o outro tentando pegar alguma das libélulas que pousavam nos galhos das árvores. Essa ação exigia certa resistência de minha parte, porque a areia parecia movediça. Em cada passada, as minhas pernas que, de fato, eram curtas, ficavam enterradas até a metade nas pisadas fofas. Como toda criança, eu era inquieta. Vendo a minha traquinagem, Maria Cirilo, a responsável por mim, temerosa de não alcançar-me com os olhos, pois ocupava-se lavando algumas peças de roupas, sem nenhuma didática para conseguir acomodar-me e, sem discernimento algum, passava a amedrontar-me: 
― Olha que a Siricora vem te pegar! Dizia Maria. 
― Se você ficar quieta, ela não vem não! Retrucava ela. 
Siricora! O que seria isso? Uma ave, um pássaro, uma bruxa? Até hoje não sei; nunca consegui descobrir, mas sei como me sentia com aquela ameaça. O pavor era tão grande, que perdia o prazer de desfrutar da beleza daquele maravilhoso lugar. Para termos acesso ao córrego, percorríamos por caminhos alagadiços e, em algumas partes, pedregosos. Ultrapassávamos uma porteira, tendo que escalar por sobre as madeiras da mesma, porque ela se encontrava trancada com um enorme cadeado. Deu para perceber que era uma propriedade privada, mas a Maria era sobrinha do dono, então, nenhum problema com a nossa invasão ao bem, que pertencia ao senhor João Lourenço. 
Seu João Lourenço, assim como era tratado por todos da redondeza, era um homem de muita posse e de muitas propriedades. Ali no Canto, nome do povoado em que ele residia, era conhecido como o homem mais abastado; propriedade de muito valor, cabeças de gado que não se contavam e fartura muita em sua casa! Casado com dona Chicuta, mulher bonita e falante. Usava uns vestidos estampados e de saias rodadas, sandálias rasteiras com detalhes dourados e tinha cabelos longos, mas sempre penteados para cima e feito um coque no alto da cabeça. Era uma pessoa muito distinta, como dizia meu pai. Já o tio da Maria era um homem de poucas palavras. Ao contrário de sua esposa, ele se vestia sem muito zelo, mas usava um relógio dourado, que demonstrava o poder de suas finanças. Na lida, botas de plástico, para facilitar a sua caminhada pelas lavouras e currais. Era um homem branco, de cabelos castanhos, pele enrugada pelo tempo, pouco calvo e mãos grossas de quem pega no pesado, mesmo tendo muitos trabalhadores para dividir os afazeres. Diziam por lá que ele era um homem seguro e que era difícil ver a cor do seu dinheiro. Isso era bem verdade! O pai do meu cunhado não costumava gastar o que ganhava. O que ele gostava mesmo era de abastecer o seu cofre. Quando ele o abria, tanto na parte superior, quanto na debaixo, tudo o que se via era dinheiro empilhado. Ele fazia uns blocos e os amarrava com ligas amarelas. Era um homem que sabia ganhar dinheiro, mas desatento para a evolução da moeda. Achava que, se o que lucrasse ficasse guardado em casa, nada teria a perder. Tempos de muitas variações na moeda brasileira: cruzeiro, cruzeiro novo, cruzeiro, cruzado, cruzado novo, cruzeiro, cruzeiro real... Ele não se deu conta da transformação cambial e muito menos de atualizar a sua fortuna. Então, seu João morre e vem à necessidade da partilha dos bens. Aí vem o espanto; a sua grande fortuna de nada valia, porque havia se desvalorizado com as modificações ocorridas na nossa moeda. Tantas cédulas destinadas ao fogo, essa era a única serventia! 
Maria era uma mulher de fibra capilar lisa e preta. Tinha um belo sorriso, além de sorrir com os olhos. Pessoa alegre e de bem com a vida. Não era magra, mas tinha a cintura fina e quadris largos. Mulher humilde, sem muito aprontamento, porque a sua condição financeira não lhe permitia. Vivia pela casa desse tio, ajudando nos serviços domésticos. Também, quando lhe sobrava tempo, auxiliava em seus afazeres, a minha irmã, que era casada com o seu primo.
Bons tempos aqueles! Apreciar aquela água correndo por entre as altas árvores de copas ralas, poucas folhagens e troncos finos! Muitas folhas secas caídas pelo chão úmido e algumas levadas pelo vento, flutuavam pela correnteza sem destino identificado. Aquele terreno era um local sem moradia e o que se ouvia era: o barulho da água, o sussurro do vento, o balançar das folhas, o canto das cigarras, dos pássaros, o mugir e o chocalho do gado nas capoeiras. 
Na volta do banho, não sei se era a fome, eu sentia o cheiro do tempero das comidas, que borbulhavam nas panelas, por todos os lados. E, ao entrar na casa da minha irmã, o cheiro aumentava. A sua mão na cozinha era sem defeito. Quando ela me chamava para comer, era tudo tão quente, que eu ficava com calor. Ela sabia, lógico; então abria uma porta que dava para o oitão, colocava o meu prato no chão e pedia que eu ali me sentasse. Agora era possível, eu levar a colher à boca e começar a saborear as delícias que nele estavam. 
Coisas de infância, reminiscências contidas, agora por mim contadas. Verdades bem vividas, que nem o medo conseguiu bloquear. E hoje, com prazer, partilho esta visita imaginária ao meu aprazível córrego.

Airla Barboza

NO SERTÃO TEM CHICO CUNHA

- Tô aqui todo entrevado! 
Me diz ali velho amigo 
Que já não suporta mais 
A desdita do inimigo 
- Oh dor infeliz, irmão 
Vivo com a cara no chão 
Que nada ocorra contigo! 

Esse tal de Chico Cunha 
Me pegou foi bem de jeito 
É uma dor infeliz 
Bem aqui no meio do peito 
Dói cada nervo ou emenda 
Tô abrindo da contenda 
Mandaram fazer bem feito! 

O negócio não tem fim 
Eu já me perdi na data 
Há meses que já não durmo 
Comprimido já se cata 
Lá em casa todo mundo 
Saco já não tem mais fundo 
É sério, não é cascata! 

Eu já fui a hospital 
E nada de ter um jeito 
Passam dias e semanas 
E não vem o tal efeito 
Tô aqui que nem zumbi 
Dá vontade de sumir 
Eu largo já esse eito! 

João Teles

domingo, 17 de julho de 2016

RAIMUNDO GOMES E JOÃO BATISTA GOMES

Wilson, eu vou lhe contar uma história, mas você não poderá contar para ninguém. Você sabe que o papai era muito bonito e faceiro, e o tio Raimundo Gomes muito bom, mas era feio e “semvergoin”. Os cabelos do papai já estavam esbranquiçados, e ele pediu ao tio Raimundo, para trazer de Fortaleza um produto que fizesse eles voltarem a serem pretos e bonitos, como foram anteriormente.
Vindo de Fortaleza, ao chegar à nossa casa na Palma, o tio Raimundo me entregou, e disse ser o produto que o papai lhe pedira, para tingir o cabelo. Abri o vidro, toquei, e confesso ter achado parecido com uma brilhantina, de cor muito escura, e ele disse-me ainda que eu passasse, quando ele fosse à missa, na Festa da Padroeira. Para atendê-lo, assim eu procedí.
O tio Raimundo, você sabe, não costumava ir à missa, mas nesse dia ele foi comigo e com o papai, sem ninguém desconfiar porque. Foi rindo, da nossa casa até a igreja, os dois de terno branco, que eu havia passado, e o papai feliz, com os cabêlos bem pretinhos, que chamavam atenção.
Era a Festa da Padroeira, a igreja estava lotada, o tio Raimundo ficou no patamar, eu subí para o coro com a Luzia, a Cidinha, a Jovelina, filhas da Madrinha do tio João Cristino, a Carmélia do seu Alfredo, e a Franquinha da tia Maria Gomes, aquela o Padre Ivan a desgraçou, e o papai foi para a fila bem próxima do altar.
Wilson escuta, você não era nem nascido, nos estavamos cantando a Ave Maria de Gounod, fazia muito calor na igreja, quanto o produto que eu passei nos cabelos do papai, começou a derreter. Menino, foi aquela aflicão. Quando mais o papai tentava limpar o que escorria em seu rosto, mais seu rosto ficava preto, e tentando limpar no terno, o terno ficou todo manchado.
Quando eu vi o papai naquele estado, eu parei de cantar, desci do côro e saí correndo, e o convidei para irmos para nossa casa, o pobrezinho parecendo um negativo da foto do Al Jolson, aquele cantor de jazz americano que você conhece.
Ao chegarmos no patamar da igreja, a coisa piorou, lá estavam o tio Raimundo e todos os amigos dele e do papai, rindo, morrendo de rir, por ver o teu avô naquele estado, e eu com muita raiva e muito aflita.
Da primeira vez que fui à casa do Bemfica, na hora do almoço, eu contei o ocorrido na presença do Eurico e da Nenzinha, do Amaury e da Maísa, e do próprio tio Raimundo e da tia Terta, mas tu sabes o que aconteceu? Foi pior para mim. Todos riram, mais até do que o tio Raimundo rira, quando estava no patamar da igreja, com excessão da tia Terta, que repreendeu à todos, inclusive à seu Gomes, que era como ela chamava o tio Raimundo, pela brincadeira, segundo ela, de extremo mau gosto, que ele fizera com seu irmão João Batista.
A tia Terta em seguida me abraçou, pediu-me mil desculpas pelo ocorrido, e foi em seu gesto seguido, por todos os presentes. Com o tempo o próprio tio Raimundo confessou-nos que ele mesmo preparara o produto, misturando Brilhantina Glostora com graxa de sapato preta. Mas demorou muito tempo, para eu esquecer o que o tio Raimundo Gomes fez com o “bichinho do papai”.
 
Wilson Belchior. Do Livro "O choro de um filho" (no prelo)

ADUALDO BATISTA ARAÚJO

A verdade é anterior a qualquer prova, e se manifesta, se buscada através das evidências fáticas da realidade.
Tal e qual ouvi de meu pai Otávio Belchior, palmense humilde porém conhecedor profundo da história da nossa terra, conhecimentos advindos do seu interesse por história, das funções que nela ocupou, e potencializados pelas informações colhidas com suas raízes e tradições familiares de mais de 200 anos. Contarei o que dele ouvi, aditando brevíssimos comentários a respeito do Adualdo, esse famoso senhor.
Ele era meu parente, sim, por parte de mãe. Não pôde, como erradamente afirmam, ter nascido em Coreaú, na época de seu nascimento 1910, esse nome era o do rio que banhava a Palma. Em verdade, nasceu na Palma, no local antigamente denominado Distrito de Pedrinhas, hoje Município de Moraújo, numa fazenda que a ela se chegava indo da sede de Moraújo em direção à Sesmaria do Jagarassuí, do meu tetra avô Antônio Fernandes Batista, no Campanário, na antiga Vila de Granja, hoje Uruoca.
Filho de Francisco André Araújo (Chico André) e de dona Joaquina Batista Araújo. Chico André era irmão de Francisco Manuel Araújo (Chico Manuel), ambos fazendeiros da região, e os principais responsáveis pela extinção da fauna local, pois contratavam caçadores, adiantavam-lhes dinheiro para matar todo e qualquer animal silvestre que pela frente aparecesse, e tivesse couro de valor, dentre os quais onças, gatos maracajás, raposas, veados, tejos, cobras, guaxiníns, etc. Os couros, depois de espichados e secos ao sol, eram levados de trem de Martinópoles até Massapê, onde os comercializavam, com um exportador da família Alcântara, que os revendia a outro membro da mesma família em Manaus.
Tanto Chico André como Chico Manuel tinham temperamento violento, razão pela qual muito cedo Adualdo saiu de casa. Chico André tentou por umas duas vezes mandar seus caboclos caçadores assassinar o meu parente e saudoso amigo, esse sim escritor de nomeada, Raimundo Batista Aragão (O Aragão do INPS), em virtude de uma queixa, depois comprovada como falsa, que lhe apresentara Chico Manuel. O fato só não teve fim sinistro graças à intervenção de outro fazendeiro local chamado Francisco Custódio Veras (Chico Custódio), amigo do Aragão e amigo e compadre de Manoel Florêncio, bodegueiro no Campanário.
O Adualdo era também parente do Pe. Domingos Araújo, cônego da Catedral da Sé de Sobral, além de respeitável confessor. Era considerado um menino precoce, tendo disso dado provas soberbas. Notabilizou-se por ter sido o fundador do Colégio Farias Brito e faleceu muito jovem, aos 32 anos, em 1942, morando em Fortaleza. Deixou um único filho, o hoje Dr. Adualdo Ariosto de Araújo, advogado, ainda vivo e residente no Rio de Janeiro.
Seu nascimento foi registrado por seu pai Chico André, no Cartório de Massapê, como filho de Massapê, numa das viagens com o fito maior de entregar mercadorias a seu comprador, fato que tornou Adualdo erradamente conhecido como massapeense. O registro deu-se em Massapê por ser o Cartório na época para ele de mais fácil acesso, visto que chegava lá facilmente, no trem da Estrada de Ferro de Sobral (E.F. de Sobral), vindo de Martinópolis, estação próxima das fazendas onde viviam.
 
Wilson Belchior
 
CRÔNICA
3 DE OUTUBRO (1)
Adualdo Batista Araújo (2)

Cai por sobre a grande nação brasileira o manto bendito da paz, qual nuvem celestial que descesse dos céus para derramar chuvas de alívio e graça no coração dos brasileiros. Terminou a luta fraticida --- essa serpente monstruosa --- que se enrosca em as nacionalidades, torcendo-as impiedosamente e depois lançando-as no abismo da desordem. Felizmente, porque a luta é um grande mal e acarreta funestas consequências.
Felizmente, porque é a luta civil o peior dos males e traz comsigo as peiores desgraças. Temos, entretanto, que suportá-las pois são creações inevitáveis do egoísmo humano. São pois inevitáveis. Por elas passaram os povos, mesmo os mais felizes. As nações na ânsia de progredir, e não podendo marchar dentro dos domínios pacíficos da concórdia, retrogradam, banham-se de sangue e depois prosseguem. Todos os povos aspiram a momentos mais felizes, mas para essa transição foi sempre preciso passarem dias penosos, incertos, dolorosos. Assim, precisamos exultar-nos com o fim de qualquer luta, porque todas trazem seus males. Sempre depois de qualquer luta, por menos catastrófica que tenha sido, ao lado dos que festejam alegremente a paz, soluço a legião inconsolável das viúvas e dos órfãos chorando a perda dos maridos e pais extremecidos. Ao lado da alegria estonteante dos moços, estão os cadáveres dos companheiros que morreram ingloriamente no campo de batalha.
Ao lado da alegria rumorosa do povo inconsciente, estão os prejuízos fabulosos sofridos pela nacionalidade. Mas isso não impede que exultemos, isso não manda que substituamos a alegria pela tristeza. Se assim fosse, torná-la-íamos universal. Universal, porque são companheiros inseparáveis, porque sempre, e em toda parte, caminharam juntos. Dentro do lar, dentro do indivíduo, dentro do universo. Tomaria nosso planeta o aspecto sepulcral das ruínas.
Morreríamos todos devorados por uma dor universal infinita... O mal está em, ou entregarmo-nos a uma tristeza profunda e inconsolável, ou a uma alegria despreocupada, anormal. In médio stat virtus. (a virtude está no meio) Consolemo-nos mutuamente porque todos sofremos e desse consolo mútuo, fraternal, há de nascer necessariamente o que nos falta --- A Resignação.
 
(1) Crônica publicada no periódico “O Jornal”, Ano I, n. 1, 08/12/1932, PÁG. 2, Sobral-Ceará. A crônica refere-se à rendição dos rebeldes paulistas da Revolução Constitucionalista de 1932.
(2) Adualdo Batista de Araújo é palmense (nasceu em Pedrinhas (1910), atual município de Moraújo). Foi registrado como sendo filho de Massapê. Morreu em Fortaleza no ano de 1942. Foi advogado, filósofo, professor e empreendedor, tendo fundado o Colégio Farias Brito de Fortaleza.